| ETHEVALDO SIQUEIRA esiqueira@telequest.com.br |
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Ganhador
do Nobel diz como será 2010
A humanidade
está ingressando numa década incrível. Quando ela terminar, todas as
formas de comunicação do mundo - sejam de voz, dados ou imagens -
poderão ser transmitidas através de uma única fibra óptica, em
apenas um segundo. Um transistor poderá ser feito de apenas um átomo.
Os microprocessadores mais avançados não serão maiores do que uma molécula.
- Antes dessa miniaturização extrema, teremos transistores de plástico,
produzindo aparelhos e computadores da espessura do tecido de nossa
roupa.
-
- Curvaremos raios de luz dentro de pastilhas de silício. Faremos a
seleção de comprimentos de onda por meio de cristais fotônicos. A
banda larga e as transmissões em alta velocidade - inclusive sem
fio - triunfarão sobre todas as formas de comunicações atuais. A
nanotecnologia permitirá a produção de minúsculos robôs, com
apenas alguns bilionésimos de milímetro (ou nanômetros) de
altura. Para quê? Para combater doenças, limpar nossas artérias,
despoluir o ambiente ou realizar tarefas totalmente impossíveis
neste fim de milênio. Os pesquisadores aprenderão muito com os
processos físicos, químicos e biológicos, para aplicá-los ou
imitá-los em novas formas de computação. Em menos de dez anos,
talvez possamos chegar ao computador quântico, capaz de superar
tudo que a imaginação humana já concebeu.
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- Eis aí uma síntese das previsões feitas por Horst Störmer -
cientista dos Laboratórios Bell e um dos três laureados do Prêmio
Nobel de Física de 1998, em entrevista exclusiva ao Estado.
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- Limite é o átomo - Nos anos 70, Gordon Moore, um dos
cientistas fundadores da Intel, previu que o número de componentes
microeletrônicos por chip iria dobrar a cada 18 meses. Cumprida ao
longo dos últimos 20 anos, sua previsão ficou conhecida com o nome
de lei de Moore.
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- Mas essa tendência à miniaturização talvez não prevaleça
muito além de 2010.
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- Para Störmer, não há dúvida de que o limite desse processo é
o átomo: "Talvez
possamos ir além e chegar ao núcleo atômico, mas aí os problemas são
muito maiores. A questão central é saber quando iremos atingir o
limite do átomo, o que, a meu ver, é mais uma questão econômica do
que tecnológica.
- Alcançaremos esse limite quando uma nova geração de chips se
tornar mais cara do que sua antecessora."
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- Tecnologicamente, não se pode prever quando será atingido aquele
limite atômico. Mas algumas projeções mais confiáveis estimam
que esses transistores de dimensões moleculares já possam ser
produzidos por volta de 2010.
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- Computador quântico - Para Horst Störmer, temos de pensar
hoje em múltiplas formas de computação, desde a computação analógica
até a óptica, quântica e a biológica - sem falar, é claro, da
velha computação digital: "Para muitos, a computação quântica
é muito parecida com a computação analógica. O importante, em última
instância, é buscarmos a solução mais adequada a cada setor ou
grupo de problemas. Por outras palavras, é preciso escolher entre a
melhor solução digital ou o melhor modelo."
-
- Störmer não acha adequada a expressão computação óptica.
Prefere falar em optical switching ou comutação óptica:
"Hoje já não pensamos num computador óptico. Isso porque a
transmissão se tornou tão mais importante, que nós preferimos
comutar (ligar) de modo muito mais eficiente um sinal óptico,
desviando-o de um roteador para outro."
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- Para o Prêmio Nobel, a computação quântica é algo totalmente
novo: "Tenho dito em minhas palestras que poucas pessoas no
mundo realmente entendem o que seja computação quântica. Pense no
que significa manipular elétrons, um a um ou em grupos, juntando-os
ou separando-os. Isso ainda é algo impensável. A rigor, o que
temos hoje são algumas idéias em discussão, alguns caminhos a
seguir. Mas é, sem dúvida, um tema fascinante."
-
- Outra tendência é a do computador biológico. "Não estamos
falando de nada rigorosamente biológico, vivo ou orgânico. Mas,
sim, de moléculas de DNA e proteínas. Não estou afirmando também
que teremos redes neurais apoiadas sobre estruturas biológicas, até
porque estas são lentas. A biologia, no entanto, pode nos fornecer
modelos, materiais básicos e componentes."
-
- Nanociências - Na verdade, a física, a química e a
biologia estão contribuindo para a criação de novos conceitos de
computação.
-
- "De um lado estão os químicos, tentando construir moléculas
cada vez maiores, mas limitados a menos de um mícron. De outro
lado, estamos nós, físicos, tentando o caminho inverso, no que
pode ser uma nova onda, a das nanociências ou da nanotecnologia.
Como se sabe, nos EUA há muitas iniciativas nesse campo. Não
duvido de que poderemos construir estruturas cada vez menores.
Abaixo de um mícron (0,001mm), estamos no domínio das nanociências,
ou seja, um terreno comum à química e à física.
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- Nesse encontro de ciências e de técnicas físico-químico-biológicas,
o cientista aprende a usar as vantagens da interação de processos
físicos, químicos e biológicos, em processos de síntese ou de
automontagem (self assembling), por exemplo.
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- Os Laboratórios Bell trabalham no campo da nanotecnologia, embora
sem propósitos biológicos ou médicos, e, sim, com vistas à
computação biológica:
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- "Interessa-nos compreender o funcionamento do cérebro de
animais primitivos, como o de uma lesma ou de um caracol, com o propósito
de transferir esse conhecimento para o campo da computação. Noutra
área, estudamos as redes neurais."
Visão mundial - Embora o limite da capacidade de
transmissão das fibras ópticas possa chegar, por volta de 2010, a
300 Terabits/segundo, algo muitas vezes maior do que todos os tipos
de informação hoje transmitidos no mundo, a grande forma de
comunicação pessoal futura será sem fio. "Vemos hoje gente
usando celular em todo o mundo. No futuro, teremos milhões de picocélulas
numa rede global contínua, sem costura. Você poderá ser
localizado onde estiver, a menos que desligue seu celular mundial de
terceira geração. Mas, não se admire, a era da informação
apenas estará começando."
-
Texto extraído
d o
site da folha (www.follha.com.br)
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